Às vezes não conseguimos conformar-nos com o que acaba. Nunca nos lembramos, quando começa ou até quando já chegamos a meio, que vai ter de acabar, vai ter mesmo de ser. Mas decidimos pensar sempre que ainda falta muito para esse dia chegar, que quando ele chegar vemos isso. Dizem-me muitas vezes para não sofrer por antecipação. Mas deixar para depois não será, no mínimo, um pouco irresponsável? Não é melhor entrar na água devagarinho em vez de ter um choque térmico?
Às vezes não conseguimos conformar-nos com o que acaba. O que está prestes. O que já foi há muito. Já foi há muito que entrei naquele avião a ouvir Neil Young. E ainda não me conformei. E já me estou a insurgir contra os próximos meses. Será que alguém me podia garantir que passa? Algum dia passa? Alguém sabe? Talvez não. Talvez não.
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Sempre que chegava a uma sapataria procurava sapatos largos. Queria-os bonitos e elegantes mas o pé nunca entrava neles. A menina intervinha. "Posso ajudar?" "Tem estes em 38?" (...) "Sabe, o pé não entra...(humpf)" "Talvez queira experimentar um número acima......?" "Não, sabe, é que eu tenho joanete, não sei se está a ver...(esfrega o joanete com veemência) veja...ja viu?...pois, eu tenho joanete e por isso é muito difícil arranjar sapatos que me sirvam..." "Pois" (...) Compreendo..." "Obrigada na mesma"...
"(Estas pessoas não sabem fazer sapatos para pés normais! Em Espanha não é assim!!"
(...)
" Perdóm...aham...Tiénes estes en preto??" "Perdona?!" "Preto!!" "(Não é preto...Em Espanha é negro...)" "Estos em negro?" "Perfeito, están mucho biem...aham...sabe...tengo rrroanete!!!, sim??"... "(...)Si, si, claro..."
Continua a haver sempre coisas giras na vida...Viver com a minha mãe é definitivamente uma delas:)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Porque não há nada como o que é mesmo importante
Ando numas de aproveitar as férias sozinha de uma forma muito agradável. Comprei livros novos. Leite Derramado, o novo do Chico Buarque. E A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro. E gosto bem. Além disso estou apaixonada por Coco Rosie. Para a semana vou de férias. Rumo ao Sul. Primeiro para ti. Depois mais para baixo. E assim vou ver se consigo ser forte. Se aquilo que mais temi toda a vida e que acaba de se tornar realidade é de mais para eu aguentar ou se sou mesmo forte. Espero que sim.
E agora vou-me. Vou dar o biscoito aos bichinhos e ler mais um bocado. Porque às vezes esqueço-me de fazer as coisas de que mais gosto. E isso não pode ser. Jamais. Nunca mais.
Mesmo.
E agora vou-me. Vou dar o biscoito aos bichinhos e ler mais um bocado. Porque às vezes esqueço-me de fazer as coisas de que mais gosto. E isso não pode ser. Jamais. Nunca mais.
Mesmo.
domingo, 2 de agosto de 2009
Like a hurricane
Porque a vida é mesmo isso. Eu sei que sim. Mas não faz mal. Porque na realidade ela só vale a pena porque tu existes. E porque ainda há algumas pessoas como tu. Felizmente. Continuo sem saber o que dizer. Mas acho que tu entendes que é por te amar tanto. E não há nada mais verdadeiro e eterno do que isso.
Sabes, nunca me esqueço daquele dia em que foste ver-me. Foste porque eu chorei e porque precisava de ti. Foste pobre, sem tempo real e cheia de sorrisos e abraços. Nunca senti tanto a concretização da essência da partilha como nesses dias. E adorei.
Há muito tempo que entras nas minhas histórias. As que escrevo e as que conto. E principalmente as outras todas.
Porque és tu e porque sem ti não teria tantas histórias para contar e se calhar nem teria este espaço para o fazer:
Uma vez, estávamos no Água de Côco bêbadas e queríamos pão para o pequeno almoço. Eu subornei o senhor para me vender um pão de forma inteiro pelo preço de uma tosta mista. Na praia deitei-me sobre ele para fazer de almofada. De manhã, eu e tu, descemos as dunas com as toalhas presas ao pescoço e as mãos para a frente. Qual Super-Mulher. Pão de forma de baixo do braço e toalhas às costas encontrámos uns baloiços amarelos concebidos para meninos até aos 12. De tanto saltarmos caíram os dois e ficamos estateladas no chão.
Em casa fizemos tostas mistas com o pão de forma cheio de areia. Tu foste a única que não deitou o pão fora. Comeste tudo e não te zangaste comigo.
Por ti vou até ao fim do mundo!:)
Sabes, nunca me esqueço daquele dia em que foste ver-me. Foste porque eu chorei e porque precisava de ti. Foste pobre, sem tempo real e cheia de sorrisos e abraços. Nunca senti tanto a concretização da essência da partilha como nesses dias. E adorei.
Há muito tempo que entras nas minhas histórias. As que escrevo e as que conto. E principalmente as outras todas.
Porque és tu e porque sem ti não teria tantas histórias para contar e se calhar nem teria este espaço para o fazer:
Uma vez, estávamos no Água de Côco bêbadas e queríamos pão para o pequeno almoço. Eu subornei o senhor para me vender um pão de forma inteiro pelo preço de uma tosta mista. Na praia deitei-me sobre ele para fazer de almofada. De manhã, eu e tu, descemos as dunas com as toalhas presas ao pescoço e as mãos para a frente. Qual Super-Mulher. Pão de forma de baixo do braço e toalhas às costas encontrámos uns baloiços amarelos concebidos para meninos até aos 12. De tanto saltarmos caíram os dois e ficamos estateladas no chão.
Em casa fizemos tostas mistas com o pão de forma cheio de areia. Tu foste a única que não deitou o pão fora. Comeste tudo e não te zangaste comigo.
Por ti vou até ao fim do mundo!:)
terça-feira, 28 de julho de 2009
Do avesso...
Tenho-me apercebido que ando a fugir àquele que é o propósito deste meu espaço. Deveria contar histórias. Histórias que começam por "Foi assim..." e que terminam em "...e foi assim". Porque as histórias, oralmente, contam-se assim.
Ando com um certo azar. Talvez seja só preguiça e um pouco de vergonha na cara que não me deixa escrever certas coisas, pelo menos. Algumas nem quero repetir em voz alta (tenho medo que passem a ser reais). Não fiquei no meu estágio. Era o meu sonho e não fiquei. Porque as 3 linguas e meia que falo não interessam. Devia ter ido para russo, talvez chinês.
Não é normal um adulto que estudou o que queria, que gosta de cultura, de aprender e que sabe para que é que tem vocação não fazer a mais pálida ideia do que quer ser quando for grande. O pior é que já sou grande.
E eu que só queria ser pequenina para sempre...
:)
Ando com um certo azar. Talvez seja só preguiça e um pouco de vergonha na cara que não me deixa escrever certas coisas, pelo menos. Algumas nem quero repetir em voz alta (tenho medo que passem a ser reais). Não fiquei no meu estágio. Era o meu sonho e não fiquei. Porque as 3 linguas e meia que falo não interessam. Devia ter ido para russo, talvez chinês.
Não é normal um adulto que estudou o que queria, que gosta de cultura, de aprender e que sabe para que é que tem vocação não fazer a mais pálida ideia do que quer ser quando for grande. O pior é que já sou grande.
E eu que só queria ser pequenina para sempre...
:)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Teorias da conspiração?
Vocês devem saber como funciona o SNS em Portugal, certo? Eu cá, pelo menos, tenho passado horas infinitas com consequência desagradáveis nos centros de saúde.
No outro dia, tinha uma ferida de proporções gigantes no dedo polegar da mão direita que tinha fechado em falso fazendo com que o dedo parecesse do tamanho da minha cabeça. Acordei às 8h e fui acordar a minha mãe para ela me vestir porque nem isso conseguia fazer sozinha. Com muita dificuldade caminhei para o centro de saúde onde esperei umas parcas 6 horinhas por uma médica que me visse. Quando finalmente apareceu e eu lhe mostrei o dedo (com cara de choro, claro) expliquei que nem conseguia apertar o soutien sozinha pelo que agradecia muito se ela me desse drogas fortes para conseguir ir trabalhar. Ela respondeu: "Oh Inês, não acha que está a exagerar? De qualquer forma toda a gente sabe que o soutien se aperta à frente!!!". Toda a gente menos eu, pelos vistos. Disse que me dava um antibiótico mas só porque eu estava a pedir muito e que deixasse o Brufen que isso não fazia nada e que dali a uma semana fosse lá para me abrirem o dedo com uma agulha (!!!). Eu disse-lhe que sou alérgica à penicilina e fui-me embora. No dia seguinte quando acordei as minhas pernas tinham-se transformado num monte de bolhas vermelhas. Curiosa fui ler a posologia do antibiótico e descobri que tinha penicilina. Fui à farmácia explicar que a senhora me estava a tentar matar de choque anafilático mas não me ligaram. Fui a outra farmácia onde uma senhora muito simpática finalmente cuidou de mim.
Ora, esta semana voltei lá. Só queria que me passassem umas análises que tenho de fazer de dois em dois meses. Coisa simples. Só lá estive 2h30 porque era rápido. Mal entrei no consultório a médica perguntou o que era ao que respondi que eram as análises e se por favor não se importava de as passar. Ela viu o que o médico tinha pedido e disse: "Mas porque vem fazer estas análises? É por ser gorda?". (!!!!) Ao que eu disse "Não, é porque eu tenho um problema que é o seguinte....SOU DOENTE DA TIRÓIDE". Parece-me bastante lógico, não?
Basicamente o que acontece é que em Portugal ser doente e pobre não está com nada. Os médicos que não nos tentam matar tentam destruir a nossa auto-estima e saúde mental.
O que me alegra é saber que a nova geração de médicos é só boa gente que se preocupa:)
Além disso também são todos meus amigos;)
Se sobreviver até lá...lucky me;)
No outro dia, tinha uma ferida de proporções gigantes no dedo polegar da mão direita que tinha fechado em falso fazendo com que o dedo parecesse do tamanho da minha cabeça. Acordei às 8h e fui acordar a minha mãe para ela me vestir porque nem isso conseguia fazer sozinha. Com muita dificuldade caminhei para o centro de saúde onde esperei umas parcas 6 horinhas por uma médica que me visse. Quando finalmente apareceu e eu lhe mostrei o dedo (com cara de choro, claro) expliquei que nem conseguia apertar o soutien sozinha pelo que agradecia muito se ela me desse drogas fortes para conseguir ir trabalhar. Ela respondeu: "Oh Inês, não acha que está a exagerar? De qualquer forma toda a gente sabe que o soutien se aperta à frente!!!". Toda a gente menos eu, pelos vistos. Disse que me dava um antibiótico mas só porque eu estava a pedir muito e que deixasse o Brufen que isso não fazia nada e que dali a uma semana fosse lá para me abrirem o dedo com uma agulha (!!!). Eu disse-lhe que sou alérgica à penicilina e fui-me embora. No dia seguinte quando acordei as minhas pernas tinham-se transformado num monte de bolhas vermelhas. Curiosa fui ler a posologia do antibiótico e descobri que tinha penicilina. Fui à farmácia explicar que a senhora me estava a tentar matar de choque anafilático mas não me ligaram. Fui a outra farmácia onde uma senhora muito simpática finalmente cuidou de mim.
Ora, esta semana voltei lá. Só queria que me passassem umas análises que tenho de fazer de dois em dois meses. Coisa simples. Só lá estive 2h30 porque era rápido. Mal entrei no consultório a médica perguntou o que era ao que respondi que eram as análises e se por favor não se importava de as passar. Ela viu o que o médico tinha pedido e disse: "Mas porque vem fazer estas análises? É por ser gorda?". (!!!!) Ao que eu disse "Não, é porque eu tenho um problema que é o seguinte....SOU DOENTE DA TIRÓIDE". Parece-me bastante lógico, não?
Basicamente o que acontece é que em Portugal ser doente e pobre não está com nada. Os médicos que não nos tentam matar tentam destruir a nossa auto-estima e saúde mental.
O que me alegra é saber que a nova geração de médicos é só boa gente que se preocupa:)
Além disso também são todos meus amigos;)
Se sobreviver até lá...lucky me;)
terça-feira, 30 de junho de 2009
"Happiness is only real when shared"

Perfeição. Into the Wild. Além do facto da banda sonora ser praticamente toda da autoria do Eddie Vedder,o filme impressiona. É de uma beleza pura que mexe connosco e que nos mostra que a beleza natural das coisas é a única coisa que realmente importa. É preciso fugir da hipocrisia, da estupidez, do tudo que é nada. A verdade é que se ouvirmos The Wolf em silêncio, se fecharmos os olhos, mesmo sem termos visto o filme, ela consegue arrancar o melhor e o pior de nós às emoções. É pura e forte por si só. Tal como a cena do filme em que ela aparece. Somos só nós e a nossa liberdade de viver e sentir...E porque não há de ser assim mesmo? Porque não havemos de conseguir sobreviver sem tudo o que nos corrompe? E se não conseguimos mesmo, então porque não havemos de poder ser felizes em momentos em que atingimos a perfeição? Porque ela existe, em algo que vemos, em algo que ouvimos, em algo que sentimos. Tanto existe que aqui está ela, em forma de filme, em forma de história real, em forma de banda sonora cantada por esse génio. Perfeição.
Devo apenas concordar com a última frase. Para quê tanta beleza e tanta perfeição se não podemos partilhá-la com alguém? É essencial ter com quem partilhar tudo isso. Eu também quero partilhar, vejam o filme e ouçam as músicas.
É realmente bonito.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
No S.João toda a gente mete a mão!:)
S.João: manjericos, farturas, bailaricos, cerveja, música, vinho, sardinhas, pimentos, arraiais, bolota, alho porro, martelinhos, balões, beijinhos na boca, histórias bonitas, pois.
Gosto de festa. Principalmente das populares, dos santos. Gosto de ter desculpa para festejar até de manhã e gosto do que é típico. Esta é a festa da minha terra. E eu gosto da minha terra.
E, minha gente, se no Carnaval ninguém leva a mal, no S. João ninguém diz que não!
Viva o S.João e a minha terra tão linda. As cinco pontes e o pôr do sol no rio. O vinho do Porto e as casas da Ribeira. A nossa pronúncia, a nossa alegria, a nossa festa!
Este ano foi assim,só faltaram vocês:)
Gosto de festa. Principalmente das populares, dos santos. Gosto de ter desculpa para festejar até de manhã e gosto do que é típico. Esta é a festa da minha terra. E eu gosto da minha terra.
E, minha gente, se no Carnaval ninguém leva a mal, no S. João ninguém diz que não!
Viva o S.João e a minha terra tão linda. As cinco pontes e o pôr do sol no rio. O vinho do Porto e as casas da Ribeira. A nossa pronúncia, a nossa alegria, a nossa festa!
Este ano foi assim,só faltaram vocês:)
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