sexta-feira, 25 de junho de 2010

Se avexe não, passa para o Coentrão!!!!

Então após o magnífico jogo Portugal-Brasil e esse empate amigável faço questão de partilhar uma parte dos jogos a que ninguém liga muito: o relato!

Diz o comentador:
-Filipe Melo tem um feitio dos diabos!!!, Pedro Baptista, esse gosta mais de samba!
A minha mãe:
-Corre, corre, corre, dá ao Coentrão!!!
Comentador:
-Maicón é um jogador tremendo!!
Outro comentador:
-Aí vem Josué, um 1,70 de gente!
Comentador:
-Vai Danny!!....Não vai não!
Comentador:
-Olha lá, sabes porque é que Maicón se chama assim?
Segundo comentador:
-Não, conta lá!
Comentador:
-O pai dele gostava muito de cinema e queria chamar-lhe Michael Douglas, mas no registo só o que deu foi para Maicón, aí ficou Maicón Douglas!
A minha mãe:
-Olha vai entrar o Simão, tá fresquinho!
Comentador:
-Ai que a bola vinha redondinha!!!!
Outro comentador:
-Isto tá para o empate!
Comentador:
-O Brasil com pouco progresso e pouca ordem!
A minha mãe:
-Ai nem quero olhar! Vou fazer tricot!
(gesticula as agulhas com os nervos)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um eléctrico chamado desejo

Resolução geral: Nunca mais deixar acabar a bateria do meu mp3.
Música do dia: Kiss, Prince. Dá-me umas ganas de abanar o capacete até cair para o lado que vem mesmo lá do fundo. Mesmo.
Pensamento do dia: Mas porquê???
Plano: Fazer tudo super bem e tão depressa que não me dê tempo para pensar!
Plano ligeiramente mais realista: Pensar bem antes de começar qualquer coisa...
Infelicidade da semana: Pelos vistos não aguento a bebida. Não cá dentro, sequer, simplesmente não consigo beber nada com álcool e isso é pior que qualquer coisa.
Felicidadade de semana: A Feira do Livro está aí e o S. João a chegar.
Filme do dia: Lost in Translation
Sentimento do dia: Lost in Translation:p
Melhor parte do dia: pelas 15h e suponho que de novo pela 00h00
Música do dia (agora a sério): Só mais um adeus (Vinicius e Toquinho)

Frase do dia: Vai mas é trabalhar...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Oh Lord won´t you buy me a colour tv?

Tenho andado num enorme conflito interior. Tão grande que nem me atrevo a dizê-lo em voz alta. Alguém pode ouvir e dizer-me o que quero ouvir e não me parece que isso fosse uma opção pacífica.
Sempre me considerei feliz, há sempre algo que me deixa esfusiante. Pequeníssimas coisas como tomar um pequeno almoço maravilhoso, ouvir uma música parola e saber a letra toda, chegar a casa e enrolar-me em gatinhas. Cair na cama e esperar ter sonhos infinitos.
Mas não hoje. Não agora. Não sou feliz. E não sei porque insisto em fazer coisas que me deixam assim. Porque deixo que me cortem as pernas. Não sei o quero. Sò sei que não é isto.
E penso, será que a minha avó aguenta o desgosto de saber que tantos anos mais tarde vou desistir de tudo? Que prefiro não ter trabalho fixo a fazer isto? Que vou desperdiçar tudo o que me deram? Mas não posso viver para sempre assim.
E eu sei que é triste dizer isto, mas a vocação é zero, o prazer ainda menos, tudo não passa de frustração, falta de paixão, falta de interesse, falta de gosto.
Nunca pensei só querer dormir, dormir até eventualmente acordar uns meses antes e refazer a minha vida e não ter de passar por isto.
Nunca pensei. E acho melhor nem pensar.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

At least I can hold my licor...

"Se eu pudesse, por um dia, esse amor essa alegria, eu te juro, te daria, se pudesse esse amor todo o dia".

Seria de esperar que eu crescesse. Seria de esperar que a adultícia me fizesse mais fria, mais ponderada. Seria de esperar que aos 26 anos já soubesse abrir um pacote de ketchup sozinha sem o espalhar todo em cima de mim. E eu nem gosto de ketchup. Seria de esperar que eu crescesse. Que criasse certas capacidades. Seria de esperar que não me cortasse sempre que tento fazer alguma coisa na cozinha. Seria de esperar que aguentasse as saudades. Que não sofresse assim. Que não quisesse voltar.
Seria de esperar que já gostasse de polvo e que deixasse de gostar de ovo estrelado misturado com o arroz. Seria de esperar que crescesse e que não fosse só para os lados. Seria de esperar que deixasse de roer as unhas. Que acordasse cedo sem sofrer. Seria de esperar que já tivesse emprego e uma casa.

Mas a verdade é que gosto e que geralmente, aquilo que seria de esperar é aquilo a que temos de fugir mais depressa. Hei-de ser desastrada para sempre, a tendência aliás é piorar, e preferia não ser, mas não há nada a fazer...Hei de me mascarar no carnaval e de me colar a todas as portas que puder contigo...E hei de ter sempre saudades e ainda bem.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quotidiano nº 1

Moro no centro da cidade. Onde aliás acho que toda a gente devia morar ou, pelo menos, querer morar. Há um autocarro que cobre toda a baixa do Porto e que é aquele em que eu me movimento. Nesse autocarro, que era o 20, há uma quantidade de pessoas estranhas que poderia facilmente dividir por sub-grupos.
Há uma velhota a quem eu gosto de chamar pomo da discórdia. Isto porquê? A velhota não tem, claramente, o que fazer, e por isso anda no 20 mais ou menos todo o dia. Para se entreter faz o mesmo que o Adivinho do Astérix, diz umas coisas baixinho a uns e outras coisas não tão baixinho assim a outros e depois encosta-se a ver satifeita. Depois de umas cenas de pancadaria e baixarias que não repito porque, afinal, sou uma senhora, os intervenientes saem nas suas paragens. Mas logo alguém entra de novo e é informado do que aquele senhor disse sobre a sua mãe e começa tudo de novo.
Há uma outra que entra sempre na minha paragem e que é muito malcriada. No outro dia viu um rapaz que vive por estes lados e que é brasileiro, com uma carteira de mulher e jeito enfeminado. Durante as dezassete paragens seguintes foi com esta conversa, para quem quisesse ouvir:

"Estes gajos agora não percebo, é tringalha com tringalha, rachadela com rachadela, são uns badalhocos!!! Isso que prazer pode dar a alguém?! Tringalha com tringalha, rachadela com rachadela!!! Que badalhocos!!"

Depois há os pervertidos de 80 anos que ficam com calor sempre que uma mulher com menos de 40 entra no autocarro...
Já dizia o grande Zeca que o que faz falta é animar a malta:)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Kiss Kiss Bang Bang



Adoro ver pessoas a beijarem-se porque todos beijam de forma diferente e há tantos tipos de beijos. Beijos molhados, bejos repenicados, beijos na testa, beijos nas bochechas, beijos na mão, beijos na boca. Beijos de mãe e de pai, beijos de tias distantes acompanhados por alguns puxões de bochechas, beijos de irmão, beijos de amigos,beijos de gatos, beijos de amante. Beijos de despedida, beijos de boas vindas, beijos de comemoração, beijos de saudade, beijos de amor, experiências, .beijos de porque sim. É pelo beijo que nos conhecemos, seja de que maneira for.
Beijos porque beijar é bom e quantos mais tivermos na vida melhor.
Acho bonito os beijos urgentes dos adolescentes apaixonados e é lindo ver como, com a idade, os mesmos apressados são muitas vezes os que cultivam o beijar lento, quente, com que conquistam outros ex-adolescentes urgentes.
Eu já fui um desses.
:)

domingo, 2 de maio de 2010

Homem com H e Fascinação

Fascinação. Pura. A da Elis Regina mas o outro tipo também. Fui ver o Ney Matogrosso, e para os que pensem que fui sozinha só porque não levei companhia que se desenganem, o Ney estava lá em grande, namoradeiro, dono de uma voz intocável, teatral como sempre e maravilhoso.
Cantou tango, se tal é possível, e dançou. Já não é novo e não se veste de mulher, o que é uma pena. Ainda assim é ainda um bonito homem, provocador e simpático.
Saí de sorriso colado e ainda estou!
Entre as pessoas que admiro, que nem são tantas assim, está a minha avó. Mulher bonita, corajosa, forte, um pouco egoísta, ao que parece, fruto da educação que teve. Mas não comigo, nunca comigo. A minha avó mora num palácio. Aos olhos dos outros talvez não exactamente, talvez apenas viva num casarão grande e bonito, para mim é um palácio. Não só pelo tamanho ou pelos inúmeros tesouros perdidos que lá se encontram mas porque ela é uma princesa. Dona de uma elegância extravagante e de extremo bom gosto, loira de olhos verdes e curvas perfeitas. Quando era nova parava o trânsito e o sinaleiro fazia-lhe vénias. Suponho que nunca tinha visto tal beleza. Não o censuro.
Quando se ri faz covinhas nas bochechas e inveja a qualquer uma. Mas ela não é só beleza pura, é uma mulher de armas que sofreu tanto e sempre se recuperou com dignidade e força.
Na velhice é mais meiguinha, não o era tanto assim, excepto talvez comigo, não sei bem porquê. Há uns anos apareceu-lhe lá um gatinho abandonado e medroso a pedir mimo. Ela acolheu-o na cozinha e deu-lhe de comer. Uma vez ele apareceu-lhe lá a morrer a meio da noite e ela, com 81 anos, correu para o médico com ele ao colo para o salvar. Nem era o gato dela. Mas salvou-lhe a vida.
Hoje vivem os dois entre mimos e ronrons e miados eternos, ele sempre no colo dela e ela enternecida de todo.
A minha avó é uma Elizabeth Taylor, uma Katherine Hepburn. É a melhor do mundo.