quinta-feira, 18 de março de 2010

Mas está tudo maluco?

Há uma rua ao pé da minha faculdade, uma rua estreitinha ou não cabem duas pessoas ao mesmo tempo onde, todos dias, seja a que hora for que eu por lá passe, passa sempre por mim um senhor a ler a Bíblia. Mas notem, não é sempre o mesmo senhor e isto é completamente verdade!
São homens adultos que aparentemente vão trabalhar ou vão para as aulas, e vão a ler a Bíblia, a Bíblia edição livro de bolso,mas a Bíblia.
Ontem no autocarro ia uma senhora na minha diagonal a cantar "Arre burrito, arre burrrrito" e a bater-me na perna. Começo a ficar apreensiva porque isto começa a afigurar-se habitual e familiar já que a minha avó há uns anos tinha um homem a bater-lhe à porta todos os dias alegando, em voz excepcionalmente alta, ser filho dela e do Júlio Isidro e que a malvada não o deixava entrar.
No outro dia fui a uma loja de artigos para pessoas doentes e acamadas ver umas cadeiras para a minha avó e a vendedora, solícita, mostrou-me tudo o que tinha até que eu lhe disse:
- "E aquela? É de veludo, não é?"
e ela respondeu:
- "Não é vem beludo".
....

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Quando a vida se ri de nós

Esta semana, por razões que a própria razão desconhece, tive de repetir um exame. Mas o interessante desta história não é isso. O interessante é que, quando ia para a faculdade passei por um consultório de dentistas cujos médicos eram o Doutor Paulo Dentinho e o Doutor Mário Chumbinho!!!
Pergunta: a vida é irónica ou os dentistas também têm pseudónimos? Uma pessoa com estes nomes pode ser outra coisa na vida que não dentista? Como será a conversa destes dois um com o outro? "Doutor Dentinho, o Doutor Chumbinho está ali ao telefone e pergunta se amanha pode vir fazer uma desvitalização às 15h?"...
E eu queixo-me de me chamar Ramalhete...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Perhaps, Perhaps, Perhaps"

Tenho uma paixão enorme pela Nova Iorque dos anos 30, 40, 50, 60...
Tenho um sonho de conhecer (ou ser) a Doris Day ou a Audrey Hepburn ou a Lauren Bacall com o seu Humphrey Bogart que não parecia bonito à primeira mas que era um homem muito interessante...
Gostava de estar naquele bar com o Rock Hudson e a Doris Day a cantar o Roly Poly,(Pillow Talk) ou naquela janela a ouvir a Audrey Hepburn cantar o Moon River(Breakfast at Tiffany´s). Gostava de conhecer o Nat King Cole. E o Frank Sinatra. E o Cary Grant. E o Clark Gable.
Os Estados Unidos de hoje só me trazem ideias tristes e pensamento poluídos, mas como eu gostava de conhecer estas lendas na sua época e frequentar esses locais onde o jazz nasceu e cresceu e onde se fizeram as lendas do cinema...
Como eu gostava de ter sido nascida ali naquela época.

"Perhaps, perhaps, perhaps..."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quis saber quem sou, o que faço aqui....

Quando foi o Euro 2004 toda a gente resolveu pôr na sua janela um monte de bandeiras de Portugal, uma espécie de apoio como quem diz:
"Não temos dinheiro para comer, mas mesmo assim vamos pôr esta bandeira que o JN ofereceu na edição de Domingo na nossa janela e apoiar a Selecção Nacional!".
Não correu muito bem mas também não foi mau de todo...
Ora este ano, no Natal, as pessoas começaram a trocar as suas bandeiras (já rasgadas e sujas dos 5 anos em que estiveram penduradas já que ninguém se lembrou de la ir tirá-las) por um estandarte vermelho com o Menino Jesus...Ora o que é que sucede? De novo, passou o Natal e o fim de ano e a 27 de Janeiro os Meninos continuam pendurados do lado de fora de janelas e varandas por esse Portugal fora. E não sei porquê mas algo me diz que assim continuarão por tempo indefinido.
Eu não tenho nada contra bandeiras, gosto bastante até. Tenho uma de cada país que visitei, trouxe para recordação, o que não ando é a pendurá-las nas janelas cá de casa!
Essa fase foi outra, em que tinha bandeiras dos Nirvana ao pé de posters do Billy Warlock e do Dragon Ball e uma bandeira do meu Partido. Hoje em dia tenho dois da Audrey Hepburn e a Guernica ainda por pendurar visto que não se fazem molduras para aquelas dimensões...Mas isso são outras histórias.
O que me faz escrever isto hoje é uma dúvida que me assombra desde que dei conta disto: Será que, secretamente ou pelos vistos não muito, Portugal continua a reger-se pela divisa "Deus e Pátria" e até Salazar visto ter sido a personalidade mais votada naquele concurso cheio de credibilidade que houve há tempos?
Serei eu a única alma que se apercebe destas coisas? Ainda somos fascistas ou apenas distraídos?
(Sobreolho franzido.....)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Confissões de adolescente

A adolescência é uma coisa complicada para toda a gente, primeiro porque ninguém é bonito entre os 13 e os 15 anos, nem as maiores estampas do mundo eram bonitas nessa fase. E se alguém está convencido que era então desafio a que vá ver as fotos da época e se esclareça. Eu não tenho ilusões, além de um péssimo corte de cabelo tinhas uns óculos que metiam medo, espinhas na testa e, claramente, bochechas a mais...
Nessa altura, e confesso que até durante bastante tempo, tinha paixões platónicas exacerbadas. Apaixonava-me todos os dias por alguém. Mas não pelos rapazes da escola, por pessoas famosas que entravam no meu imaginário, ou na minha televisão.
É, contudo, com agrado que registo esta semana que os meus gostos se mantém desde então. Aparentemente sempre tive um"tipo".
Tencionava manter segredo disto, mas não o vou fazer.
Esta semana colei na 1a e 2a temporadas das Marés Vivas. Todos nos lembramos dos calções vermelhos, os carros amarelos, os heróis e heroínas e da minha grande paixão da época. Ao rever pensei que ia perder a magia, olhar e pensar "Oh meu Deus, o que é que eu via nele?". Mas não...a verdade é que olho para ele e o que vejo é ainda o rapaz mais bonito, heróico, maravilhoso, de 1,70cm (notam já aproximações à realidade?) e que, ainda hoje, me faz ficar acordada até as 2h da manhã em vez de ir dormir ou estudar...Era o Eddie:)
E agora vocês perguntam: como é que é possível ainda ficar horas a ver isto e não ter vergonha de admitir? Ora, aprendi a não ter vergonha de nada e admitir tudo e, como sabem, também aprendi a partilhar tudo o que me deixa feliz...Em época apertada de exames e de trabalho duro, quando chega a noite, ficar horas a ver isto faz-me feliz e deixa-me dormir melhor...
Por isso, para as meninas deixo um gostinho:)
Miau!


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Porque...

Porque é que carregar uma regueifa ou uns moletes debaixo do braço no Porto não é tão elegante como carregar uma baguete debaixo do braço em Paris?
E porque é que as galochas são sempre tão feias?
Porque é que associo o Outono ao cheiro das castanhas e porque é que isso me deixa tão feliz?
E porque é que os dias gelados de sol são os melhores do Inverno?
Porque é que às vezes ainda me apercebo que continuo a adorar coisas que adorava aos 14 anos e não tenho vergonha disso mesmo que seja piroso?
Porque é que lençóis lavadinhos e muitas almofadas na cama é tão maravilhoso?
Porque é que quando troveja tenho tanto medo? Porque é que morro de medo de aranhas?
Porque é que beijar alguém à chuva é tão romântico?
Porque é que os gatos ronronam quando estão felizes?
Porque é que beijar é tão bom?
:)

A Feira

Melhores que as pipocas do cinema são as pipocas da Feira Popular.E há-as de todas as cores. Gosto do conceito de Feira Popular. Gosto de carroceis, os póneis, o pinóquio, os elefantinhos e porque qualquer criatura pode fazer parte de um carrossel.
Na Feira Popular há maçãs caramelizadas e algodão doce que é o imaginário de qualquer criança. Nuvens cor de rosa, doces e peganhentas. E uma pessoa lambuzar-se toda com algodão doce é uma maravilha e porque a palavra "lambuzar" se aplica a tão pouca coisa!
Há música em todo o lado e luzinhas a piscar e "tiro ao álvaro" como dizia a Elis Regina. E há algo de magnífico que são os carrinhos de choque. Acho que foi num desses que desconjuntei um dos meus joelhos...
Em suma, ontem fui ao cinema e enquanto comia pipocas pensava que, de facto, embora boas não se comparam com as que comia em pequena na Feira Popular. Ou nas festas dos santos em Santiago. Ou no Senhor de Matosinhos.
Afinal, um evento que tenha uma coisa chamada "O Canguru do Amor" só pode ser algo de magnífico e que se entranhe no nosso imaginário para todo o sempre.
Pelo menos enquanto o eternamente durar, né?