domingo, 19 de abril de 2009

Is there a bright side in your life?

Não posso dizer que seja feliz. Posso dizer com muita confiança que quero ser feliz. Aliás, no fim de tudo e de tantos pensamentos tantas vezes destrutivos, concluo que só uma coisa me importa na vida e vivo por ela e para ela. Quero ser feliz. E não preciso do céu para isso. Não preciso de ser rica, não preciso de ser perfeita. Não preciso de nada. Excepto do que quero da vida. Quanto ao que é, é relativo. Eu sei o que é, e chega.
Mas não, não sou feliz. Não a maior parte do tempo, pelo menos. Estou muito cansada de lutar pelo que não posso ter. De tentar construir coisas que não querem ser construídas. Estou farta que me olhem sem me verem. Quem me queiram sem saberem o que querem. De eu querer quem não tem noção do quanto já quis. Cansada, é a palavra. E assim sigo. Continuo a construir. Mas por mim só. E até já cheguei algo longe. Às vezes até chego a ficar orgulhosa de mim, não são muitas, mas acontece, juro.
É para isso que existem as sextas-feiras à noite, não é? Pois bem, para mim sim. E assim hei-de ser chamada para o meu estágio. E hei-de fugir daqui. E hei-de encontrar e os caminhos certos. E principalmente, não vai faltar muito.
Mas não posso viver triste porque assim não sou eu. E não gosto de mim assim. Por isso vejo sempre o lado bom de tudo. Talvez seja esse o problema?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

The Piano Has Been Drinking (Not Me)


Queria partilhar duas coisinhas hoje. Uma delas é gira, estou aqui a acabar a tradução de um livro que alguns gostarão de ler, são teoricamente as maiores histórias de amor de todos os tempos mas 90% são tragédias com muito álccol, droga, tabefes e morte...o amor da vida da Callas ou do Cary Grant que nunca mais puderam esquecer os bêbados e adúlteros dos cônjuges e patatipatata. Enfim uma lamechice e uma treta, é tudo doido. Mas uma ou outra vale a pena. Mas já me desviei. Esta parte não é de todo a coisa gira. A coisa gira é que estou muito quentinha e a ouvir Tom Waits e tenho a Spa enrolada numa manta em cima da minha secretária ao lado do computador. Bonito ver que embora haja um sofa, uma cama e um puff no meu quarto ela prefira estar num sítio duro mas ao pé de mim. Adoro. Nada mais doce e confortável que um gato, um copo de vinho ou de leite (:)) uma manta, Tom Waits, e uma tradução. Faria isto para sempre todos os dias.
A outra coisa que quero partilhar é esta. Queria mostrar o meu desapreço ou diria até asco, pela existência e palavras e atitudes e sons em geral emitidos pelo anormal do Berlusconi. Então aquelas pessoas a queixarem-se todas para quê? Ele há cada um. Estão a fazer uma espécie de acampamento do tipo de vá para fora cá dentro e não lhes falta nada e ainda choram por cima? Têm cá uma lata estes italianos. Quem é que precisa de casa? A aventura é que está a dar. Têm água e comida em abundância e um bocadinho de frio e chuva nunca fez mal a ninguém. Toda a gente sabe que quando os espartanos nasciam era logo postos do lado de fora da porta na primeira noite para enrijecer. Quem acordasse morto era porque também ia ser fraco, não era chorado. Assim é que deve ser. Um país muito rico, não é? Não precisam da ajuda de ninguém porque 270 mortos nem é nada de mais, essa agora.
Muito bonito. Só espero que seja mesmo verdade que o mundo está a mudar e que nos vamos livrar em breve de todos os fascistas perigosos disfarçados de grandes senhores. Porque caso contrário vai dar para o torto, afinal de contas podemos não ter vivido entre 1929 e 1975 mas o que existiu pelo meio não foi bonito de se ver, não tenham dúvidas...
E por hoje é tudo. Vou traduzir o Kurt Cobain e a Courtney Love. Duvido que seja uma história muito bonita de grande amor. Mas tem de ser.
Siga para bingo.

domingo, 5 de abril de 2009

Palavreado

Há umas palavras de que eu gosto muito. Fiz uma listinha no outro dia e vou partilhar!

Nenúfar
Devassa
Açoite
Portinhola
Supimpa
Escarcéu

Bambu
Galheta
Guardanapo
Baunilha
Kiwi
Papiro
Alfarrabista
Galheteiro
Romã
Lima
Origami
Sushi
Losango
Fénix
Boémia
Gato
Invólucro
Luneta
Querubim
Cogumelo
Cupido
Magia

........e nunca mais acabam.
Se eu fosse o Veríssimo com certeza que pegava nelas e fazia textos maravilhosos e divertidíssimos, mas como não tenho essa arte posso ao menos partilhá-las com vocês e quem quiser eu deixo usa-las para escrever um texto bonito, as minhas palavrinhas...

Pre(ten)ciosismos

No outro dia estava na conversa e ocorreu-me uma coisa muito interessante.
Quando as nossas mães eram pequenas, e já muito muito antes também, introduzir palavras estrangeiras no discurso era muito chique. Todos sabem como detesto que se faça isso, mas a verdade é que é muito giro ver as alterações que houve desde então. Na altura, a minha bisavó dizia à minha mãe "Oh Isabelinha, vai ali buscar-me o meu porte-monet". Quem leu Os Maias pode ver bem que isso também já era assim na altura: havia o bric a brac, o chic, tudo era dandy, as mobílias eram Luis XV ou algo assim. E nós deliciámo-nos e ler aquilo tudo e a achar um piadão.
Gosto de pensar no sentido das palavras, gosto de palavras acima de tudo, e gosto que se brinque com elas.
Uns anos valentes mais tarde toda a gente decidiu começar a introduzir assim de fininho umas palavras em inglês mas a verdade é que rapidamente ultrapassou aqueles conceitos que realmente não tinham tradução possível como offshore, outsourcing, marketing, leasing, o que quer que cada coisa destas signifique como os Gato Fedorento tão bem retrararm no sketch (olha outra) Lingua Portuguesing.
De repente os putos do liceu quando estão em situações embaraçosas começaram a dizer "awkward", ou "boring", ou mesmo frases inteiras ridículas e sem sentido uma vez que podiam perfeitamente dize-las em português.
Eis se não quando, embora a moda do inglês ainda não tenha desaparecido, reaparecem as palavras francesas. Tudo começou quando o Mário Lino disse que o aeroporto na margem sul "jamais!". De repente e em catapulta apareceram os putos todos vestidos e penteados à Tokio Hotel e que portanto são retrô mas ao mesmo tempo também são avant-garde. E chiques? Uh se são chic!!
Portanto devo concluir que as gerações e o futuro do mundo está perdido, mas a boa notícia é que isso é so a juventude portuguesa! Porque em inglês e em francês usam as suas próprias palavras e são tão orgulhosos que nunca as trocariam pelas de nações mais fracas (?). Em Espanha ninguém fala nem espanhol como deve ser por isso outras línguas também não confere. No resto do mundo o mesmo.
Também que raio de azar sermos uma das poucas línguas que têm praticamente todos os sons que existem em linguística!!
É mesmo uma merding, parece.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Natal é quando um homem quiser

A minha mãe acaba de me comunicar que a Spa pode ficar!! Estou tão feliz, ela é mesmo querida e meiga!..Eu sei que todos pensam que eu sou maluca, 3 gatas, mas ela precisa de um lar e é mesmo meiga e gosta de dormir dentro da minha cama a ronronar, que mais posso querer, bem diz a minha empregada que é a cereja em cima do bolo. E é mais uma fonte de histórias que espero ter para contar.
Molly, Kitty, Spa.
Natal é mesmo quando um homem quiser:)

Quadradinhos azuis

Uma vez tentei fazer uma lista de músicas que me tinham marcado na vida,aquelas mesmo especiais. Cheguei à conclusão que se um dia realmente a conseguisse acabar tudo perderia o sentido. São tantas, tantas com histórias bonitas, outras menos. Também já me ocorreu fazer uma lista daquelas que são proibidas. Há uma quantidade de músicas que não posso ouvir, que me fazem chorar, não sei, acho que se entende. Simples. E no entanto não.
Hoje estou a ouvir a Pale Blue Eyes. Adoro esta música. Acompanhou-me nos meus passeios chorosos e no entanto sorridentes e de reconhecimento quando cheguei a Santiago. Nem a conhecia na altura muito bem, mas pu-la no mp3 para ter músicas novas para associar.
Uma vez falei da memória olfativa. Agora refiro-me a esta. A esta que é de importância tão gigante como essa. A música.
Quando saímos todos juntos as noites melhores são aquelas em que não conseguimos parar de dançar e saltar porque estão a passar as músicas da nossa juventude. Eu adoro isso. Ouvir as músicas pirosas que adoravamos e pensar no que ainda ficou desde essa altura. Ficou muito pouco, só aquilo que na altura já tinhamos o discernimento de gostar: Pearl Jam, Nirvana, Fiona Apple e muito, muito pouco mais.
A verdade é que o nosso baú está cheio de musiquinhas preciosas. Aquelas que quando os nossos amigos vão a nossa casa ver a prateleira dos CDs ainda dizem "iiiiiii ainda tens isto aqui???", e nós acenamos com um sorriso.
Eu cá tenho fases. Tenho as músicas do liceu, as que ouvíamos feitas malucas em Vila Chã enquanto víamos quadradinhos azuis e jogávamos Trivial. Tenho as músicas que ouvia com o Miguel, foi ele que me instruiu, todos devíamos ter irmãos mais velhos. Tenho as músicas que tu me mostraste também, algumas que não consigo ouvir sem chorar: Halleluja pelo Jeff Buckley, Sylvia Plath pelo Ryan Adams, Black...
Depois há as músicas de Erasmus. Que são música brasileira da velhinha e da boa. O Jorge Ben, os Novos Baianos, Chiclete, Timbalada, Alceu Valença....e ainda as que levei por mim e que tinha sempre nos ouvidos, Velvet Underground, Rolling Stones, White Stripes, Pearl Jam, Chico Buarque....
E agora as novas que fui conhecendo entretanto e sem as quais já não vivo. Realmente não suporto viver sem música.
Felizmente vocês também não.

terça-feira, 17 de março de 2009

Se estivessem a vender sonhos qual é que compravas?

Não há nada mais terrível que ver o mundo aos bocados. Para mim o mundo são fragmentos. Fragmentos em que nem sempre apareço, que nem sempre são reais, que me fazem mal. Vejo-me presa como que num quadro de Picasso, sou uma forma geométrica descentrada do que é o equilíbrio.convencional. E como eu odeio o que é convencional...
Gosto do Miró, fui vê-"lo" no ano passado. Comove-me pensar na complexidade das coisas simples. Pelo menos das que para as pessoas parecem simples, geralmente são as mais complexas. Talvez não faça sentido. Não me importa. Conhecem um quadro do Miró chamado "Campesino catalán con guitarra"?, É incrível, tão verdadeiro. Faz-me sorrir. Faz-me sorrir pensar no dia em que o comprei também. Estavas lá tu.

Às vezes gostava de ser outra. Ter outro nome, ter nascido noutro sítio, ser morena e ter olhos verdes talvez. E muito importante, ter sardas. E não crescer. E ser cantora. Mas também há tantas coisas que me deixam feliz. Tantas coisas do passado que são eu. Gosto delas. Talvez pudesse juntar isso tudo? "Cantando eu mando a tristeza embora", cantava a Gal.
Talvez esteja com problemas existenciais. Nunca tive. Talvez não seja isso.
Acho que sinto a tua falta.
Já reparei que falo muito de saudades. Vou-me deixar disso. Quando tiver saudades ponho a tocar o Eddie e pronto.

Não te esqueças do quadro do girassol...